terça-feira, 13 de outubro de 2015

A quadrilha!

 


   A cada ano que se passa este blog fica mais desanimado. É muito triste relatar este fato. Já faz mais de um ano que realizei um concurso para o preenchimento das vagas desta empresa, porém o resultado não foi o esperado. Logo após a autorização do concurso, reuni uma equipe de logística para realizar o que seria, como os críticos ousavam chamar, o maior concurso da história. E foi aí que os problemas começaram.


   Irei aqui repetir os cargos que seriam disputados nesta seleção. Aqui estão: colaboradores, redatores, gerentes, técnicos administrativos, técnicos em apontar lápis, técnicos em astronomia, técnicos em agronomia, técnicos em higienização aplicada e engenheiros navais. Esta lista surgiu após longas semanas de discussão visando as atuais e futuras necessidades da empresa. Embora a minha pessoa não tivesse compreendido qual seria a função de um engenheiro naval em nosso contexto, não hesitei. 


  Para ficar mais claro aos leitores, porei aqui os nomes desta equipe, um tanto duvidosa, mas a eles confiei o futuro desta potente rede de informação e cultura. O chefe da equipe era conhecido como Don Martin, homem muito estudado e rico em vocábulos diversos. Seu nome era Rober, e seu exercício articulador era invejável na academia. Dei a ele as chaves do castelo e lembro-me de suas palavras até hoje: "Nunca irei desapontá-lo, sou homem decente." Confesso que no momento estas palavras foram muito estranhas, mas confiei em minha intuição. Óh, erro grave!


  Tudo começou quando a assessora de Martin, senhorita Caroline dos Coroados, me cobrou o valor dos serviços prestados antes da realização do concurso. Eu, que estava esperando findar-se o prazo das inscrições para ajudar nas despesas, não tinha ainda um centavo naquela hora. Lembro-me que ela me agonizava, praguejava, batia e chicoteava-me com um fino e longo galho de uma macieira.


  Após a pancada, acordei confuso num leito hospitalar e vi que já tinham se passado 6 meses. Fiquei perplexo em minha insignificância e impotencialidade. Logo pensei: "Onde será que está a minha equipe?". A partir dali, foi uma bomba atrás da outra. Descobri que após a pancada, Caroline e Martin me enrolaram num saco preto e me jogaram nas águas do Paraíba. Assim, meu saco logo seguiu uma torrente fluvial e caminhou rumo ao mar. Em atafona, fui lançado para a imensidão azul onde fiquei 3 dias e 3 noites à deriva, pronto para ser o jantar de alguma fera marítima. Foi aí que um grupo de pescadores noruegueses me pescaram por engano na costa sul do Japão. Vendo que eu ainda estava vivo, me levaram a Tókio onde me reanimei ainda inconsciente. 


  Em meu bolso eles puderam ver minha nacionalidade, e ainda em tratamento, fui enviado ao Brasil num jatinho do hospital, dentro de uma cuba hermética. Chegando em São Paulo, fui levado as pressas para o Hospital das Clínicas, onde recebi o melhor tratamento do país e ainda sobre os efeitos da anestesia, fui levado, numa van com leito privativo, até minha casa. Então, três dias depois acordei sem saber o que tinha acontecido desde a pancada. Mesmo assim, minha mãe disse que eu estava com uma aparência ótima ao acordar, até tirou uma foto.


 Fora isso, soube que eles roubaram todos os meus textos que ainda seriam publicados e venderam por milhões e milhões de dólares no mercado negro. Provavelmente, neste mesmo instante que você está lendo este triste depoimento, eles devem estar ostentando com o meu dinheiro comendo um peixinho frito na orla de Santa Clara. Mas vai ter volta. Me aguardem! Por hoje é só. Agora terei que começar do zero, porém peço o apoio de todos e não deixe de comentar este post para eu sentir suas boas vibrações. Abraços exacerbados!!!
   


   
   

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Aula



Chore, mas chore muito. As férias acabaram e ponto. Isso doí pra muitos. O hábito acadêmico diário pode não ser algo muito feliz. Percebo que muitos se confundem em suas perspectivas vazias. Todavia, não venho aqui expor a dificuldade do povo. Quero sim abrir uma discussão. O fato é que acreditam em tudo o que eu falo. Célebres universitários creem em cada ponto e vírgula de minha fala como algo verídico. Sem exceção. Então entro em conflito comigo mesmo. Será que não conhecem minha carreira literária, com artigos e milhares de textos. Pesquisem. Um dia desses estava eu sentado numa praça pública quando fui abordado por um jovem de 19 anos. E foi onde minha inquietação começou.

Com muita educação, ele me cumprimentou, disse seu nome e algumas premissas básicas. Disse que acompanha meu blog desde seu surgimento e que desde então procura e pesquisa sobre meu estilo literário. Falou que era do interior, e não possuía muitos recursos financeiros. E eu ia ouvindo calmamente. De repente, o tom da conversa muda. Muda muito. Percebo uma voz meio agressiva e meio ressentida. E dentro de alguns segundos ele disse o que lhe incomodava. Dizia que eu era um escritor sujo que apenas destrói pensamentos e corrompe a sociedade. Meu trabalho é um lixo que está infectando milhões de pessoas pelo mundo. Que eu sou o causador da maior confusão literária de todos os tempos. 

Enquanto falava, ele socava o banco até sangrar suas mãos. Ele disse pra eu olhar as mãos machucadas. Imediatamento observei-as. Então me disse: "Olha pra essa ferida, pra esse sangue. Você tem feito isso com todos nós. Suas postagens estão nos matando e eu não posso deixar que isso aconteça. Ou você ou a humanidade". Na mesma hora ele saca uma arma. Eu já não sabia mais o que fazer. Fiquei paralisado. Vi minha vida passar pela minha frente. Fechei meus olhos e logo após ouço um barulho estranho. O jovem estava ajoelhado, chorando. Pediu-me desculpas. Disse que estava muito perturbado. Que tinha acontecido a pior coisa do mundo e isso tinha lhe afetado psicologicamente. Então eu trêmulo perguntei o que tinha acontecido. Ele me disse que as aulas voltaram.